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May 08, 2008
Beleza. Já estamos tratando imagens. Massa! É querer demais que as fotos não deixem de ser feitas pelos profissionais e não apareçam novas feitas pelo boy. Tudo bem.
Se a idéia é se comportar como gente grande, por que deixar ainda nas mãos da produção ou do atendimento da agência o gerenciamento criativo e a decisão dos serviços no que diz respeito aos fatores técnicos e estéticos do que é concebido pelos fornecedores?
Alguém aí já ouviu falar em ART BUYER? Quem estudou produção gráfica vai lembrar dessa explicação muita prática: “art buyer é o responsável pela pesquisa, acompanhamento, análise de qualidade, adequação e posterior aquisição de elementos visuais (fotos, bancos de imagens, ilustrações, ícones, animações, vinhetas, assinaturas eletrônicas ou tomadas cinematográfico-televisivas) necessários à realização de projetos gráficos, televisivos ou digitais” (não vou mentir... usei ctrl+c e ctrl+v de um site especializado da internet).
Este profissional é muito mais do que aquele funcionário que faz a cotação ou o lobby. É alguém capaz de identificar a qualidade de um serviço, independente da amizade ou do valor que é cobrado por ela, e dar diretriz a um projeto para melhor aplicar tal serviço a sua necessidade. É ele quem deve selecionar os portfolios dos fornecedores.
Em resumo, pode-se dizer que art buyer é a pessoa de confiança da criação. Não é aquele que trabalha em função de uma economia setorizada do cliente. É alguém que acredita que mais vale aparecer bem do que aparecer molestado muitas vezes, abominando a frase: “O que vale é a idéia”.
Não adianta pegar um estagiário de produção (a não ser que esse seja mais dedicado e conhecedor do que seu superior) ou indicar alguém somente técnico. É preciso sensibilidade, bom gosto e ética. Alguém capaz de liderar todo o processo que existe depois da criação. Resta saber se é melhor essa função estar dentro da produção da agência ou a produção ser enraizada a partir do art buyer.
Como todo funcionário, ele também deve ser avaliado a cada dia. É um ser humano como qualquer outro e pode muito bem cometer falha ou se deixar levar por benfeitorias de caixa* (*ser comprado). É muito perigoso um art buyer muito independente. Ele pode acabar setorizando os investimentos do cliente a seu bel-prazer ou dividi-los com amigos. Peculato à parte, um BOM art buyer pode alavancar qualquer agência que se preze ou que deseja ser estimada, buscando ser reconhecida como “grande” por outros mercados, trabalhando como tal.
SISTEMA DE IMAGEM
Caso exista algum art buyer no mercado, aproveito para levar ao seu conhecimento um link que pode separar um pouco mais o joio do trigo e ainda deve ajudar muitos que trabalham com tratamento de fotos. Segue o link de um verdadeiro SISTEMA DE IMAGEM:
www.desconstrutora.com/actions
Para explicar melhor a diferença entre Sistema de Imagem e Tratamento de Imagem, vale dizer que o segundo citado está contido no primeiro, assim como as ilustrações aplicadas, a texturização, cromia e montagem.
Apenas recortar cabelo e tirar sujeiras é trabalho de gráfica.
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April 20, 2008
A referência cega dos anuários internacionais está deixando nossos profissionais um pouco confusos. Não estão sabendo diferenciar uma peça “criativa” de uma peça “difícil”. Parece que ser inteligente é ser complicado e assim a propaganda está virando um diálogo entre amigos.
É escassa uma oportunidade de algo institucional e, quando aparece, lá vêm títulos pela metade com imagens subliminares que só a dupla entende ou outros forçam um entendimento para não saírem como ignorantes. É possível ganhar prêmios sendo simples e direto. Trabalhar só para os amigos publicitários é complicado. Querem ser uma agência alemã, mas produzem como um adolescente com o Corel numa lan house do interior.
Dê um TEMPO a si mesmo para pensar. Por mais experiente, respeitado e “tirado” que você seja, estar errado é uma possibilidade para qualquer um. Nem sempre a primeira idéia é a melhor. Se tempo for um luxo, prossiga com o RESOLVER. Se resolver for cotidiano, questione no que você vai ter como portfolio no final de tudo. Se QUESTIONAR for algo raro em sua cabeça, esqueça. Você já transformou profissão em ocupação.
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April 09, 2008
Aproveitando a infestação de clientes sem dinheiro, sem prazos, com conhecimentos em marketing adquiridos em palestras, com exigências e pouco a oferecer, a DESCONSTRUTORA quer também se dar ao luxo de ser atendida por uma agência de propaganda. Uma agência que aceite meus delírios e requisições da mesma forma que vêm aceitando as exigências dos mais vaidosos e desvairados clientes do mercado atual.
Gostaríamos de ser disputados, mesmo que essa disputa seja traiçoeira ou leve os profissionais publicitários a submeterem-se às sádicas jornadas de trabalho e ofensivos salários. Só não aceitaremos ser roubados pagando por uma foto free, por um logotipo de fontes digitadas, trocadilhos de duplo sentido ou frases confusas que só publicitário entende. Queremos cesta de café da manhã no nosso aniversário. Queremos interferir na criação. Queremos capuccino.
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A DESCONSTRUTORA, por sua Diretoria, faz saber aos interesseiros que se encontra aberta a concorrência do tipo “Técnica e Preço” (leia-se: qualidade pagando pouco). O objetivo é a contratação de uma empresa de Marketing, Comunicação, Propaganda, Mídia ou Publicidade, destinada à publicação da marca, trabalhos e serviços da DESCONSTRUTORA.
Nosso interesse é contratar somente uma empresa. Mas deixamos avisados de antemão que estaremos sempre abertos a novas propostas da agência não selecionada que mais separar o pé esquerdo do direito, cedendo à cobrança dos tais 20% de comissão ou não cobrando pela criação das peças.
Justamente por isso, não faremos contratos referentes a períodos de serviços. Enxergaremos como alternativa estratégica, a avaliação de propostas de marketing elaboradas por estúdios de design ou ilustração que também estiverem interessados em atender inteiramente a clientes diretos.
Não aprovaremos trabalhos feitos por estagiários, mesmo que estejam de acordo com o briefing. Exigimos duplas de renome nordestino. Não aceitaremos nada que não seja muito criativo, apesar de não estarmos dispostos a financiar experimentos de artistas ou dos interessados em poesia. Fica proibido o uso de onomatopéias ensurdecedoras e repetitivas. A inclusão de carimbos e explosões serão aceitas por estarem de acordo com o logotipo da DESCONSTRUTORA.
A verba da DESCONSTRUTORA é muito curta. É certo que não faremos muitas coisas durante o ano e tudo que for feito dificilmente passará por uma mídia, mas temos idéias criativas para postais e hotsites. Como trabalhamos com imagens, seremos muito exigentes com a produção visual dos trabalhos. Mesmo tendo parte dos nossos recursos derivados de Serviços de Tratamentos em Imagens, avisamos que não temos valores reservados para esse EXTRA. Agora, como cliente, vemos que é realmente dispensável pagar por essa novidade.
Quanto às fotografias, ficaríamos felizes se nós mesmos clicássemos e enviássemos via correio eletrônico. As ilustrações podem também ficar por nossa conta. Quanto menos custo, melhor. O que puder ser resolvido internamente entre agência e cliente é muito bem-vindo e conta ponto na apresentação das propostas.
Somos uma empresa com conceito e estilo definidos e bem particulares, que podem gerar bastantes trocadilhos. Por tais virtudes, contamos com uma disputa bem acirrada.
HABILITAÇÃO
Considerem-se habilitadas as agências que:
- sejam capazes de analisar nossas necessidades e não façam somente peças para anuário;
- possuam mais de 2 (duas) duplas no setor de criação (mas exigimos que nossos jobs sejam criados por uma única dupla, para que o trabalho não saia da linha; outra dupla é para garantir a prioridade e/ou exclusividade nos nossos trabalhos);
- tenham atendimentos bem apessoados, que saibam guiar moto e tenham liberdade social para participar da nossa vida pessoal com favores fora do círculo profissional;
- tenham como sócios administradores e não publicitários de formação, para que assim uma conversa árdua e prolongada seja encerrada com o simples uso da frase “EU ESTOU PAGANDO! ENTÃO QUERO ASSIM E PRONTO!”;
- já possuam uma conta de um restaurante para que seus funcionários possam varar a noite sendo bem alimentados;
- compensem o não pagamento dos valores dos encargos contratuais de seus funcionários sem carteira assinada, cobrando assim valores mais em conta;
- estejam dispostas a criar peça fantasma por conta (e despesa) própria;
- se utilizem de pesquisa antes de digitar um job ou sugerir uma ação;
- formulem conceitos de compreensão ampla e não somente peças para mostrar aos colegas de faculdade ou aos amigos de outras agências.
DOCUMENTAÇÃO
É fundamental que as interesseiras apresentem um termo de compromisso ético (não se preocupem, é só por uma questão de formalidade).
É imprescindível também o envio autenticado e revisado, com freqüência, dos nomes, endereços, e-mails e telefones pessoais dos funcionários do estúdio, para que possamos pedir pessoalmente as alterações das peças publicitárias.
PAGAMENTO
Seguindo a tendência do efeito dominó, os honorários só serão pagos às agências quando nossos fornecedores honrarem com suas dívidas. Se não formos pagos, nos sentiremos no direito de também não pagar. Exigimos igualmente o prazo mínimo de 12 meses para pagamento dos serviços prestados. Isso se nós não sumirmos ou nosso quadro de funcionários for substituído e perdermos as faturas antigas.
Propostas comerciais com aberturas para permutas serão vistas como prioritárias.
ENTREGA
Entregamos nas mãos de Deus.
Samuka Marinho,
DIRETOR.
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April 01, 2008
DESCONSTRUTORA. Terceiro ano de arte, visual e ruptura.
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March 11, 2008
Se você é fornecedor e teve o azar de ser chamado para uma PARCERIA, meus pêsames. Aqui em Salvador, entrar numa parceria é entrar no fogo ou cair na brasa. Se aceitar a proposta (trabalhar de graça no risco da aprovação), pode acabar perdendo seu tempo e seu trabalho. Se você for chamado e não aceitar, lenhou-se. Vão te tratar como traíra e não vão mais te chamar para nada.
O melhor a fazer é investir em um gesso no braço, não atender mais o telefone ou dizer que morreu uma tia. É sempre assim. Somos sempre perseguidos quando não baixamos preços, não trabalhamos no risco, cobramos de forma rígida os pagamentos com 6 meses de atraso ou quando simplesmente escrevemos sobre tudo isso.
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February 20, 2008
1 leão por ano e 1000 concorrentes por dia
O mercado é selvagem em qualquer lugar ou carreira. Tem sempre alguém querendo comer o outro, às vezes para se alimentar da carne ou simplesmente por se sentir ameaçado. Muitos pequenos mamíferos do pescoço curto ficam à espera de um milagre, olhando para o topo da árvore na esperança de cair um fruto. Isso faz parte da sua rotina? É isso que acontece quando você entra no elevador para enfrentar mais um dia jogando pedra no leão, esperando que, no máximo, acerte no olho e o deixe cego. Porque, com certeza, matá-lo você não vai.
Já passou pela sua cabeça que o que pode estar tirando suas oportunidades não esteja necessariamente na parte criativa do seu trabalho? Eu tive a oportunidade de passar pela criação de algumas agências de Salvador e, como você, trabalhei com muitas feras e já coloquei muita coisa bizarra na rua... Mas não por minha total vontade, desleixo ou culpa. “Foi o tempo que me deram”, “foi o briefing que me passaram”, “foi o que o cliente tinha para pagar”. Sempre encontrava um Judas. E o que eu fazia para que isso não acontecesse novamente? Ia para casa às 19h em ponto, pois meu salário não iria aumentar se eu ficasse lá esforçando minha mente.
Agora, como fornecedor e observador, estou tendo a oportunidade de me “infiltrar” em vários setores e agências. Observo o estado mórbido de tristeza e quase depressão dos meus “colegas”, para chegar à conclusão do Zé Moleza que eu fui e o João Ninguém que eu posso me tornar se não fizer nada para mudar essa P* (*história).
Transformar culpa em mérito. Isso agora faz parte da minha rotina. É o que acontece quando eu ligo meu computador, destampo minhas tintas, aponto meu lápis e me proponho a praticar o que eu tanto tento resguardar: meu ponto de vista.
Já passou pela sua cabeça que você pode estar acomodado e ajudando a viciar o mercado? Todas as grandes agências brasileiras sabem do potencial de nós baianos. Somente nós é que não nos damos conta disso. Ah, nos damos, né? E por que desistimos com o primeiro “NÃO PODE”? De quem mais ouvimos isso? Será que é da pessoa certa? Por que não tentamos novamente com novos argumentos? Por que não corremos riscos? Por que não somos mais audazes e colocamos em prática e de maneira ofensiva tudo aquilo que resmungamos nos corredores, nas conversas do almoço e nos bares?
Ficamos à espera de um milagre.
Rapaz (e moça), você tem vontade e capacidade. Aproveite agora as oportunidades e faça o melhor. Brigue pelo bom e pelos os bons. Seu JOB de hoje é o que pode abrir aquela grande porta amanhã. Não queira somente resolvê-lo e não queira com você pessoas que somente resolvem.
Já passou pela sua cabeça uma pedra? Pois se prepare. São 500 novos concorrentes a cada semestre e todos tentando matar um leão acertando o TEU olho. Esses novos 500 terão mais 500 concorrentes 6 meses depois e você terá 1.000. Com o crivo da natureza, acho que o mercado acaba suportando. Resta saber se esse espaço é dos melhores ou dos mais baratos, dos determinados ou dos que cruzam os braços. Dizem que o mercado somos nós. Então essa seleção é da maneira que melhor nos convém. Culpa ou mérito nosso.
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February 11, 2008
Depois de refletir um pouquinho nos vidros dos carros novos dos donos de agência, cheguei à conclusão de que o cliente talvez não seja o culpado pelos estupros diários que invalidam a criatividade dos profissionais do supermercado baiano de propaganda. É bem possível que ele esteja sendo engabelado de algum modo, pagando alto por uma peça e sendo retribuído com um anúncio de texturas ou foto grátis da internet.
Dizer que propaganda não dá dinheiro é não perceber a mudança anual dos carros dos donos de agência. Deve ser por isso que existe tanto comercial (de cartela) das concessionárias de veículos durante o horário trágico dos comerciais de TV. Será que é permuta? Ou será somente o lucro do esforço dos “CRIADOS” da agência que não recebem nenhum incentivo para serem “CRIATIVOS”?
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January 21, 2008
O fotógrafo. Este profissional está vendo seu orçamento ser repartido com o pessoal dos tratamentos de imagens e, como se não bastasse, está disputando covardemente com os sites de imagens free e os CDs de catálogo. Vamos acabar fazendo campanhas para salvarem os fotógrafos (de verdade) da extinção. Aliás, não. Teríamos que pedir para alguma agência criar uma idéia para os cartazes e as agências não estão nem aí para isso. Todas agora já possuem sua MEGAPIXEL 3.2.
Alguns fotógrafos cavaram suas covas. Deixaram de fazer os efeitos com luz, esperando que dessem um jeito no Photoshop depois de clicado. Ninguém mais usa maquiagem. Tudo é retoque fotográfico. Todos no clique estão de roupa azul, mas agora tem que ser roupa vermelha. Não existe mais layout ou planejamento, não?
O que chega de foto crua para ser tratada na
DESCONSTRUTORA não é brincadeira. Fotos sem profissionalismo ou dedicação alguma. No mangue, no mangue, no mangue. Se bem que a maioria deve ter custado R$ 100 a dúzia. Foto externa é enterro de anão e produção para foto é igual a cocô de índio... Ninguém nunca viu.
Eu poderia agradecer a demanda da necessidade de uma manipulação nas fotos e ficar feliz com isso. Afinal, quanto mais fotógrafos medíocres, mais grana para mim. Só que estou ficando com uma diminuição de minhas funções fisiológicas de tanto contemplar merda. Está me incomodando muito ver que o mercado está cada vez mais amador. E ser funcionário da podridão não é para mim.
O cúmulo maldito (sei lá se é assim que devo chamar) é que tem agência que está usando fotos do
FLICKR e do
ORKUT de pessoas de outros países com a desculpa de que os donos nunca irão ver o anúncio. Não sei qual o mais bizarro... Roubar a foto ou aceitar que seu trabalho seja tão medíocre, tão pequeno ou tão ordinário que não vá ter visibilidade. Este é o tipo de profissional que vai vivo para o inferno. Por sorte, existem aqueles que vão ter o direito de morrer antes de descerem. São os profissionais que só usam fotos do
SXC. O pior é que algumas das imagens baixadas são fotos de estrela-do-mar, conchinhas, papel, coqueiro, plantas, flores e placas. Coisas que não existem aqui na Bahia. Se ainda fossem fotos de tigres brancos e gagos numa montanha de neve, tudo seria mais aceitável. O povo se esquece que a tal foto é free para todo mundo. Até mesmo para o pessoal da agência vizinha.
Muitos fotógrafos não fizeram nada para se destacarem e começaram a aceitar TODAS as barganhas de quem contrata. Alguns merecem passar por tudo isso que está acontecendo hoje, enquanto outros são apenas vítimas.
Preservem a qualidade. Salvem os fotógrafos de verdade.
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January 10, 2008
De cabeça para baixo, de ponta-cabeça, pelo avesso.
Agências baianas produzindo suas próprias fotos, tratando suas próprias imagens e diretores de arte ilustrando suas próprias peças. A cada dia, as agências estão se fechando para a produção externa e RESOLVENDO tudo internamente. Mais alguns anos e tudo que for criado será finalizado e impresso no estúdio. Não existirá mais fornecedor... Só agência e veículo.
Por outro lado, os ilustradores e fotógrafos estão atendendo diretamente os clientes, criando inteiramente as peças e metendo na rua. Mais alguns anos e e não existirá mais agência... Só cliente e fornecedor.
No meio de tudo isso, os clientes estão negociando diretamente com as exibidoras e cada vez mais criando as peças quando deveriam somente expor diretrizes. Mais alguns anos e não existirá mais agência... Só fornecedor e veículo.
Bem que poderia todo mundo tomar seus postos, especializarem-se e fazer o que é de sua conta, né? Eu mesmo não deveria estar escrevendo este blog. Agora era para eu estar desenhando e curtindo as férias.
Mais alguns anos e não existirá mais cliente e tudo que um dia já foi propaganda vai virar pó (perfeito para quem gosta de meter o nariz em tudo).
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December 19, 2007
2007 se foi. E, em 2008, esse blog continuará gritando nos olhos de quem lê. Como já disse antes, valeu, no mínimo, pelas mudanças que ocorreram em mim, ao documentar e expor o que sou contra.
A DESCONSTRUTORA vai entrar de férias durante todo esse verão. De 21 de Dezembro a 23 de março, estaremos mancomunando idéias e produzindo trabalhos que, durante todo o ano de 2007, não nos deram chance de fazer. Isso é a realidade do supermercado baiano de publicidade. Somos obrigados a parar por 3 meses, para fazermos trabalhos pessoais e experimentais, pois o mercado só nos contrata para executarmos mediocridade.
Nesse período, o blog da DESCONSTRUTORA continuará em total exorcismo. Ativo em todos os sentidos, esperando coisas positivas para poder deixar de ser tão negativo. Isso já está ficando repetitivo. Isso já está ficando repetitivo. Ajudem-nos, gente. Queremos fazer textos mais coloridos, com finais felizes e beijo na boca.
O site
www.DESCONSTRUTORA.com também estará em desconstrução e continuará abortando todos os filhos dos estupros que o mercado nos ofertou.
Feliz 2008.
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December 09, 2007
Em programas de rádio, entrevistas, palestras, sites ou conversas de bar, não existe um único elogio ao super-mercado publicitário baiano. Vocês não ficam com vergonha, não? Poxa, eu fico encabulado. Existe muita expectativa e pouco movimento para que essa mudança ocorra. Os layouts estão indo para as ruas, os salários são tabelados, os clientes se comportam como sócios e meus textos já estão ficando chatos.
Tem agência na Bahia que, depois do
SXC, nunca mais produziu uma foto. E agora cria a partir da imagem que encontra. Se rolar uma idéia e não se encontrar a foto free no site, essa idéia é abortada. E o que seria de 99% dos anúncios, se não fossem as texturas de papel e de madeira?
Só está faltando água virar sangue, chover sapo e tocar as sete trombetas, porque só tem praga indo para as mídias.
Sei que um boi de piranha só não faz verão. Mas muitos continuam se submetendo aos estupros, aguardando a formação de um grupo com molotov na mão. Seria preciso muito etanol para queimar toda essa peste que domina nossos trabalhos. Essa revolução tem que ser de cabeças firmes e não de braços fortes. Pode muito bem começar em você, no seu próximo job.
Não é uma conflagração de faixas, cartazes e caras pintadas. É uma mudança interna e pessoal. Pode muito bem começar como um vírus. Basta uma pequena partícula de veneno. Dê seu grito, largue um leve sussurro ou, em silêncio mesmo, faça a sua parte. Até esse seu primeiro passo for dado, tudo ainda será utopia.
Comece com uma coisa simples: mesmo que baixinho, diga um “NÃO”, uma única vez no dia, ao que você discorda. Com o tempo, forme uma frase maior, pegue os artigos, faça uma oração, junte alguns sujeitos e modifique os substantivos. Argumente. Defenda sua porra.
O convite já foi feito. E não é para uma reunião bairrista. É para uma renovação pessoal. Uma mudança. Um pacto com você mesmo.
Ou muda agora, ou mudos para sempre.
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November 30, 2007
Ornitorrincolaringologia.
Ao ler este texto, você vai achar que estou falando de animais. E estou. A fauna vaidosa que existe nesta brenha chamada Bahia me deixa grilado.
Muitos dos mamíferos começam a botar ovo por exigência do mercado. Alguns são galinhas e se acham avestruzes, mas acabam se arrependendo do ovo gigante que colocaram na rua. Um monte de mico com pose de King Kong, contentando-se com pouco, trabalhando com cangalhas e visão de burro, enxergando só o que está em sua frente.
Existem ainda os que se deixam encurralar pelo mercado e continuam comendo farelo e engolindo sapo. Nesta semana, me senti envergonhado ao sair na rua e ver as peças exibidas. Uma boa parte (uma parte ruim) dos outdoors estavam sendo sobrevoados por urubus. A única certeza é que, com toda essa carniça exposta, nenhum de nós, aqui na Bahia, vai levar um leão para casa.
As cobras, os amigos ursos, os crocodilos e os pinguins ficam peruando os clientes, enquanto eles levam gatos por lebres.
A sorte é que já existem alguns saindo dos casulos e tentando apagar o fogo da floresta como pequeninos beija-flores, enquanto os reis da selva correm para um lugar seguro.
É! E eu fico que nem um veado escrevendo esse blog, só pra não me misturar com os porcos.
Louva-a-Deus!
O que não falta é bicho para fazer trocadilho... Mas não vou continuar latindo. Aceito sugestões* nos comentários.
* Sem ofender pessoalmente ninguém, por favor. Afinal, somos domesticados.
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November 20, 2007
Espelhando-se no faturamento dos atuais donos de agência, muitos estudantes montam a própria empresa, antes mesmo de estagiar. E para disputar um espaço nesse nicho, prostituem o mercado, viciam os clientes e amaldiçoam a área, largando de tudo na rua. Abrem ao máximo as pernas e, no final da corda, culpam os clientes por não terem dinheiro (sempre existe uma justificativa para ser medíocre).
Não aprenderam a dizer “NÃO”. Por qualquer trocado, são capazes de expor um anunciante ao ridículo. Se o cliente quer porque quer anunciar, por que não explicar qual a realidade atual dele, mostrando realmente até onde ele pode ir? O que se alimenta é o investimento integral na mídia (onde existe o retorno dos 20% de comissão) e, com o que sobrar (0%), se cria e produz a peça (contando com a “parceria” dos fornecedores).
Claro que nem todos os novos donos são assim. Alguns realmente são empreendedores e visionários, com um dom adormecido que, quando encontram chances, se revelam como prodígios, mesmo sendo tão complicado ser patrão sem nunca ter sido empregado. São exceções em meio a muitos que se pervertem e deixam de lado aquilo que tanto desejavam.
Não consigo entender como vários dos meus colegas se deixam levar pela ganância e falta de comprometimento com sua profissão. Publicitários que se tornam 110% administradores, visando somente o lucro imediato. Não conseguem ter uma visão mais adiante. Na verdade, esses se cegam. Não conseguem ver virtude em ser honrado. Preferem seguir os exemplos dos que são temidos e não dos que são respeitados. Enchem até a boca e saturam o mercado de marasmo. Os que já foram funcionários, agora com a chance de realmente serem referência, dissipam seus antigos ideais sobre os papéis assinados sobre sua mesa.
Hoje sou um empresário. Pequeno. Mas, em tempo integral, sou homem. Com valores sobre o que é ser realmente um “homem”. Justamente por isso, sei que não estou imune a erros e tentações. Justamente por isso, sei definir o que é erro, acerto e tentação. Justamente por isso, diferencio-me dos outros animais.
Meu maior medo não está em falar para/ou sobre a cabeça da cobra (lá ele). Meu maior medo é, no futuro, perceber que não fui exemplo para ninguém e contribuí, até mesmo pela minha omissão, para afundar o mercado e deixá-lo pior do que o encontrei.
“Quem muito fala, dá bom-dia a cavalo”. Portanto, como empregado, patrão ou artista, vou continuar enfadando e saudando a muitos com meus textos e a prática deles. Sem medo e pronto para os méritos, culpas e conseqüências.
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November 12, 2007
Saiu da faculdade, quer entrar numa agência, é simpático(a) e ainda não sabe o que seguir dentro da propaganda, então vai ser atendimento. Desde que comecei a trabalhar em agência, a profissão ATENDIMENTO é a mais martelada de todas na área da publicidade. Sua grande maioria é composta de garotas. Garotas bonitas. Apenas bonitas. É assim que o mercado classifica (ou desclassifica) essa classe que tem a mais importante função dentro de uma agência. É ela quem está diretamente com o cliente, trazendo o job e, em seguida, a reprovação. Muitas dessas profissionais às vezes se envolvem tanto com o cliente que esquecem para quem trabalham. Nunca dizem NÃO a ele. Perguntam quanto tempo ele quer, quando deveriam primeiro informar quanto tempo é preciso.
Por sorte, existem também aquelas que, além de bonitas, são descoladas e envolvem (persuadem) os clientes, explicam como as coisas funcionam, trabalham em contato direto com a mídia, viabilizam a produção e estão sempre buscando qualidade nas peças criadas. Quando o cliente diz que quer o céu ROSA, elas avisam com jeito que pode não ficar legal, enquanto as miniprofissionais só perguntam se é ROSA CLARO ou ROSA ESCURO. As verdadeiras profissionais sabem ser gentis, educadas e firmes quando é preciso, demonstrando que não são assessoras nem simples garotas de recado.
Algumas agências baianas exigem uma série de documentos autenticados para que o atendimento entre na criação. Assim, a separação e o preconceito ficam cada vez mais escancarados. Por que não investir alguns minutos apresentando a peça ao atendimento, para que ela possa, por sua vez, saber vender, argumentar, enfrentar e participar o cliente da idéia? É uma cultura que já se aprende na faculdade, antes mesmo de um estágio: Atendimento e criação não se misturam.
O atendimento trabalha para a agência e a agência trabalha para o cliente. Há quem diga que ele deve zelar em primeiro lugar pelo cliente e depois se preocupar com os problemas da agência. Mas se for assim, se o cliente tiver sempre razão, uma agência não precisaria de uma criação. Bastaria somente a produção, o estúdio e a mídia para realizar as superestimadas idéias de um administrador de empresas. Dizem que o CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO. Tudo bem. Mas isso não se aplica em serviços.
Quando eu vou ao médico, mesmo pagando a consulta e conhecendo o meu corpo mais do que qualquer um, devo aceitar a opinião de um profissional, mesmo que ele só tenha me analisado por alguns minutos. Eu vou dizer ao médico que ele está errado só por eu não querer ter essa ou aquela doença? O mal é que todos se enfraquecem em pensar que o cliente possa pedir uma segunda opinião em outra agência. Aí o ciclo nunca acaba. É todo mundo com medo e todo mundo cedendo. Não sei se o mais cômodo é cercar o cliente de puxa-sacos ou de profissionais com crédito, respeitáveis e de confiança em seus diagnósticos.
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October 30, 2007
O vício do cliente em sempre pedir para baixar um pouquinho me leva a pensar em um ditado que minha vó dizia: “Quem tanto baixa, mostra a bunda”. Fora que ele pede para baixar independente do valor. Todo orçamento é para ter seu valor reduzido. Não importa se o mesmo serviço será R$ 1 mil ou R$ 500. Tem que baixar para R$ 700 ou R$ 300. E o pior é que, quando pedem (ou seja: sempre), querem algo massivo, em torno de 20% a 30%. Ainda existe o artifício de te ligarem depois, dizendo que o cliente só tem R$ 650 ou R$ 280. Se for para mandar um primeiro orçamento sabendo que vai ter que passar um outro, podemos ser mais práticos e mandar logo os 2 valores.
Nós fornecedores já trabalhamos num "super-mercado" desleal, onde disputamos com dezenas de prostitutas que reduzem a qualidade do seu trabalho de acordo com a redução do seu orçamento, só para não deixarem de pegar aquele serviço. Onde está o compromisso desse povo? Onde está o compromisso de quem pede, de quem paga ou de quem faz? São seres imediatistas que só pensam no almoço de hoje e não se tocam que, dessa forma, sempre sentirão fome. Por isso, vemos nas ruas o excesso de mediocridade estampado nos outdoors, revistas, jornais, folhetos, rádio e TV.
Salvador tem muita puta, por ter muitos gigolôs. Tem gente que parece viver dessa redução dos custos. Existe a sede de tirar ao máximo do fornecedor. Isso é sempre repassado para o cliente? Ou será uma educação imposta nas agências só por questão de vício?
Como podem as agências separarem o joio do trigo de acordo com os valores dos orçamentos? Por que sempre oferecer ao cliente o menor custo e não a maior qualidade? Será que os diretores de agência e diretores de lojas, acostumados a criar peças de varejo anunciando vantagens em produtos bem mais baratos, acabam se confundindo com os serviços que eles estão para receber? Uma televisão é uma televisão. Não muda suas características, defeitos ou qualidades de acordo com a loja. Produto é produto, serviço é serviço. O bom é bom e o ruim é ruim.
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